Guia para o Seder

16/04/2014 00:07

Guia para o Sêder

Ingredientes do sêder

As principais mitsvot do Sêder são: comer matsá; narrar a história do Êxodo ao recitar a Hagadá e explicar o significado de três itens: Pêssach (cordeiro pascal), matsá e maror (ervas amargas); beber quatro taças de vinho; comer maror; e recitar o Halel (cântico de louvores a D'us).

 

 

 

 
 
Matsá

 

Três matsot devem ser colocadas sobre a mesa dentro de um pano com divisões (ou coloca-se uma matsá em cima da outra, com guardanapos intercalados entre elas).

As três matsot simbolizam os três tipos de judeus: Cohen, Levi e Israel. Outro motivo é para que restem duas matsot inteiras mesmo quando a matsá central é quebrada, como em todo Shabat e Yom Tov, quando deve se ter dois pães na mesa.

 

Hagadá

  É o eixo fundamental do Sêder, "Narrativa". Toda a ordem - Sêder - será feita através dos relatos e orientação da Hagadá. É preferível que todos tenham uma, ou dividam entre si, para que todos possam acompanhar a sua leitura.  

Água salgada

 

Um recipiente com água salgada deve ser preparado de véspera; lembra as lágrimas que os judeus derramaram com o trabalho pesado no Egito.

 

Zerôa

 

O pescoço de frango grelhado simboliza o cordeiro pascal trazido ao Templo Sagrado na véspera de Pêssach. A carne do pescoço é removida e o osso queimado. O zerôa não é comido no decorrer do Sêder. Zerôa (literalmente, antebraço) remete ao fato de D'us haver tirado o povo do Egito com "Seu braço estendido".

 

Ovo - Betsá

 

Um ovo cozido duro é colocado no prato do Sêder para comemorar o sacrifício de Chaguigá, que foi oferecido junto com o sacrifício pascal no Templo.

O ovo é também um símbolo de luto, e expressa nosso sentimento de que, atualmente, estamos incapacitados de oferecer este sacrifício. Sua forma arredondada refere-se também ao ciclo de mudança, dessa maneira expressando nossa esperança de que o Templo será reconstruído em breve.

 

Keará

  Por cima das três matsot (cobertas) são colocados os seis itens que compõem a travessa do Sêder, a keará.

Esta travessa contém seis cavidades especiais onde são depositados cada um dos seis símbolos que serão utilizados no decorrer do Sêder de Pêssach.

 

Ervas amargas - maror

  Simbolizam a amarga escravidão do povo judeu no Egito. Para o maror pode-se usar raíz-forte crua descascada e ralada; folhas de endívia; talos ou folhas de alface romana lavados e verificados; ou a combinação de todos.  

Vinho ou suco de uva casher para Pêssach

  Deve-se adquirir vinho tinto, pois todos deverão beber quatro copos no decorrer do Sêder. Pode-se beber suco, no lugar do vinho.

Um pouco de vinho ou suco debverá ser derramado ao ser pronunciada cada uma das dez pragas do Egito.

 

Charôsset

  Maçãs, pêras e nozes liquidificadas ou raladas, misturadas com uma pequena quantidade de vinho tinto, lembram, na cor e consistência, a argamassa usada no Egito para fabricar tijolos.  

Carpas - Cebola ou batata

 

A cebola crua (ou a batata cozida) é mergulhada na água salgada para despertar a curiosidade das crianças.

Os vegetais simbolizam o potencial de crescimento e renascimento e a água salgada, nas quais são mergulhados, recorda as lágrimas derramadas pelos nossos antepassados no Egito.

A palavra hebraica "carpás", quando lida de trás para frente, simboliza os 600 mil judeus no Egito forçados a realizar trabalhos pesados (cada letra do alfabeto hebraico possui um valor numérico correspondente; a letra hebraica "sámech" é igual a 60, multiplicado por 10 mil; as outras três letras correspondem a pêrech - trabalho pesado).

 

Chazêret

 

  Mais ervas amargas (das enumeradas para o maror) para serem ingeridas no "sanduíche" (vide item Corêch do Sêder).  


 

 

 
 
  O significado dos ingredientes da KEARÁ
 
 
 
 

1. BETSÁ
Ovo cozido.
Representa o sacrifîcio de Chaguigá trazido ao Templo Sagrado em Pessach).

 

2. ZERÔA
O pescoço de frango grelhado simboliza o cordeiro pascal trazido ao Templo Sagrado na véspera de Pêssach. A carne do pescoço é removida e o osso queimado. O zerôa não é comido no decorrer do sêder. Zerôa (literalmente, antebraço) remete ao fato de D'us haver tirado o povo do Egito com "Seu braço estendido".


3. MAROR
ERVAS AMARGAS

Simbolizam a amarga escravidão do povo judeu no Egito. Para o maror pode-se usar raíz-forte crua descascada e ralada; folhas de endívia; talos ou folhas de alface romana lavados e verificados; ou a combinação de todos. 
 

4. CARPÁS
A cebola crua (ou a batata cozida) é mergulhada na água salgada para despertar a curiosidade das crianças.

Os vegetais simbolizam o potencial de crescimento e renascimento e a água salgada, nas quais são mergulhados, recorda as lágrimas derramadas pelos nossos antepassados no Egito.

A palavra hebraica "carpás", quando lida de trás para frente, simboliza os 600 mil judeus no Egito forçados a realizar trabalhos pesados (cada letra do alfabeto hebraico possui um valor numérico correspondente; a letra hebraica "sámech" é igual a 60, multiplicado por 10 mil; as outras três letras correspondem a pêrech - trabalho pesado).


5. CHAROSSET
Maçãs, pêras e nozes liquidificadas ou raladas, misturadas com uma pequena quantidade de vinho tinto, lembram, na cor e consistência, a argamassa usada no Egito para fabricar tijolos.
 

6. CHAZERET
Mais ervas amargas (das enumeradas para o maror) para serem ingeridas no "sanduíche" (vide item Corêch do Sêder).

 
 

 
A Hagadá completa
 
 

 

Está Hagadá foi publicada e 
colocada no site com a permissão 
da Escola Lubavitch - SP

Ordem da inspeção e eliminação do chamêts
Ordem do corban Pêssach
Bênção do acendimento das velas
Ordem da Hagadá
Sequência do sêder de Pêssach
Kadesh
 
 
 

 
__ORDEM DA INSPEÇÃO E ELIMINAÇÃO DO CHAMÊTS
 
 
 

É costume colocar pequenos pedaços de pão duro nas diversas dependências do local onde se procurará pelo chamêts, pouco tempo antes da inspeção, com a finalidade de que quem a realiza, os encontre.

Segundo a Cabalá, devem ser colocados dez pedaços.

Antes de iniciar a busca do chamêts, a seguinte bênção é pronunciada:

Bendito és Tu, A-do-nai*, nosso D'us, Rei do Universo, Que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou sobre a eliminação do Chamêts.

* N. do T. - Usamos este Nome Divino em diversos lugares desta Hagadá. Este Nome sagrado e portanto não deve ser pronunciado em vão. Quando estiver estudando ou lendo em outras ocasiões, substitua-o por "Hashem".

Deve-se inspecionar com a luz de uma vela em todos os lugares escondidos, mesmo nas fendas existentes no assoalho. Não é permitido falar entre o pronunciamento dessa bênção e o início da busca, mesmo que seja relativo à própria inspeção. Durante a inspeção não se deve falar sobre qualquer assunto que não seja absolutamente essencial a essa inspeção. Os familiares devem permanecer próximos no intuito de ouvir a bênção, para que então examinem o local que lhes é atribuído sem falar nesse intervalo. Deve-se cuidar para que se verifique primeiramente as dependências próximas ao local onde a bênção foi ouvida e não ir a outras dependências imediatamente após a bênção.

Após a inspeção deve-se ser cuidadoso para que o Chamêts guardado para ser comido ou queimado na manhã seguinte, seja colocado num lugar seguro para que não seja levado de um lugar a outro. Evita-se, deste modo, que seja esmigalhado e esparramado por crianças ou roedores. Após a inspeção, deve-se também anular [o Chamêts que possa ter sido negligenciado na inspeção] e pronunciar:

Todo o fermento e tudo o que for levedado que esteja em minha posse, o que não vi e não eliminei e do qual não saiba, que seja anulado

e sem dono, como o pó da terra.

No décimo quarto dia de Nissan, na quinta hora do dia, deve-se fazer uma fogueira específica, queimar o Chamêts e anulá-lo.

Para esta anulação feita de manhã, pronuncia-se:

Todo o fermento e tudo o que for levedado que esteja em minha posse, quer eu o tenha visto ou não, quer eu o tenha observado ou não, quer eu o tenha eliminado ou não, que seja anulado e sem dono

como o pó da terra.

Deve-se queimar [os] dez pedaços. Durante a queima do Chamêts o seguinte é pronunciado:

Seja Tua Vontade, A-do-nai nosso D'us e D'us de nossos antepassados, que, assim como eu elimino o Chamêts de minha casa e de minha propriedade, da mesma maneira elimina todas as forças estranhas. E elimina o espírito de impureza da terra, [e] elimina de nós a nossa má inclinação e concede-nos um coração de carne para servir-Te com verdade. Faze com que toda a Sitrá Achrá, todas as Kelipót e toda a maldade sejam consumidas; em fumaça e elimina o domínio do mal da terra. E elimina todos aqueles que angustiam a Shechiná, com espírito de destruição e espírito de julgamento, assim como eliminaste o Egito e seus deuses, naqueles dias e nesta época, Amên, Sêla.

   
 
 
ORDEM DO CORBAN PÊSSACH
 
 

"Oferecemos os nossos lábios [em orações] no lugar dos sacrifícios [dos animais]".

A prece de Minchá é feita em lugar da oferenda vespertina diária. Na época do Bet Hamicdash a oferenda de Pêssach era sacrificada após a oferenda vespertina diária. Portanto, é apropriado estudar a ordem da oferenda de Pêssach após Minchá e pronunciar o seguinte:

A oferenda de Pêssach é constituída de cordeiros ou cabritos, machos, de um ano de idade, e abatidos em qualquer lugar no pátio do Templo, somente depois do meio do dia do décimo quarto dia [de Nissan], após o abate da oferenda vespertina diária e após a limpeza vespertina dos bocais da Menorá. Não se deve abater a oferenda de Pêssach enquanto tiver Chamêts em sua posse. Se for abatido antes da oferenda diária [vespertina], ele é aceitável, desde que alguém revolva o sangue da oferenda de Pêssach de modo que ele não se coagule até que o sangue da oferenda diária [vespertina] seja aspergido, e, só então, o sangue da oferenda de Pêssach é aspergido uma vez em direção a base [do altar].

Como isto é feito? O Shochet o abate, o primeiro Cohen que encabeça a fila recebe o sangue e passa para seu colega e este para seu colega. O Cohen mais próximo ao altar o asperge uma vez em direção da base [do altar]. Ele devolve o recipiente vazio para seu colega e este para seu colega, recebendo primeiro o recipiente cheio, e então, retomando o vazio. Havia fileiras de recipientes de prata e fileiras de recipientes de ouro; os recipientes não possuíam o fundo plano para que não pudessem ser apoiados no chão, evitando [dessa formal que o sangue se coagulasse. Posteriormente eles penduravam a oferenda de Pêssach e a esfolavam completamente, abriam-na, limpavam as entranhas até que os excrementos fossem removidos.

Eles tiravam [as partes a serem oferecidas no altar, que eram]: a gordura das entranhas, o lóbulo do fígado, os dois rins com a gordura sobre estes e a cauda até a costela e as colocavam dentro de um recipiente ritual. Então o Cohen as salgava e as queimava sobre o altar, cada uma individualmente. O abate, a aspersão do sangue, a limpeza das entranhas e a queima da gordura podiam ser feitos no Shabat, mas os demais serviços pertinentes não podiam ser procedidos no Shabat. Igualmente, se [o décimo quarto dia de Nissan] coincidisse com o Shabat, as oferendas de Pêssach não eram levadas para casa, mas um grupo permanecia com suas oferendas no monte do Templo, o segundo grupo sentava no Chel [uma área adjacente ao pátio do Templo] e o terceiro grupo ficava no seu lugar [no pátio]. Após o anoitecer eles saíam e assavam suas oferendas de Pêssach.

As oferendas de Pêssach eram abatidas em três grupos, cada qual consistindo, no mínimo, de trinta homens. O primeiro grupo entrava, o pátio do Templo ficava repleto, eles fechavam [seus portões], e enquanto eles estavam abatendo e oferecendo suas partes [sobre o altar], eles [os Leviim] recitavam o Halel; se eles terminavam [o Halel], antes de todos terem sacrificado [a oferenda de Pêssach], eles repetiam-no e se, após terem repetido [não houvessem ainda terminado os sacrifícios], recitavam-no uma terceira vez. A cada vez que o Halel era recitado [os Cohanim] tocavam três toques de trombeta Tekiá, Teruá, Tekiá.

Quando a oferenda terminava eles abriam os portões do pátio [do Templo], o primeiro grupo saía e o segundo entrava; eles fechavam os portões do pátio. Quando terminavam, eles abriam os portões, o segundo grupo saía e o terceiro entrava. O procedimento de todos [os grupos] era igual. Após todos terem saído, eles lavavam o pátio da sujeira do sangue que nele ficava; isto mesmo no Shabat. Como era feita esta lavagem? Um duto de água atravessava o pátio do Templo e havia um lugar por onde ele saía. Quando queriam lavar o chão eles fechavam a saída e o fluxo de água transbordava por seus lados até que a água subia e inundava [o chão] por todos os lados, juntando a ela todo o sangue e toda a sujeira que havia no pátio. Depois disso eles abriam a saída e tudo ia para fora, ficando o chão completamente limpo; isto é a honra do Templo. Se na oferenda de Pêssach fosse encontrado um defeito, quem a fez não cumpriu com sua obrigação, até que trouxesse outra.

Isto constitui uma descrição bem resumida da ordem da oferenda de Pêssach. Toda pessoa temente a D'us deve recitá-la na hora certa, para que o seu pronunciamento seja aceito no lugar de seu sacrifício. Deve-se estar preocupado com a destruição do Bet Hamicdash e rogar diante de D'us, o Criador do Universo, que o reconstrua rapidamente em nossos dias; Amên.

   
 
 
 
    
 
 
 
 BÊNÇÃO DO ACENDIMENTO DAS VELAS
 
 
 
 

Na véspera de Pêssach e em Pêssach:

Bendito és Tu, A-do-nai nosso D'us, Rei do Universo, Que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou acender a vela do Yom Tov.

Bendito és Tu, A-do-nai nosso D'us, Rei do Universo, Que nos conservou em vida e nos manteve e nos fez alcançar esta época.

Na véspera de Pêssach quando incide na véspera de Shabat:

Bendito és Tu, A-do-nai nosso D'us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou acender a vela do Shabat e do Yom Tov.

Bendito és Tu, A-do-nai nosso D'us, Rei do Universo, Que nos conservou em vida e nos manteve e nos fez alcançar esta época.

Na véspera do sétimo e do último dia de Pêssach não se recita a segunda bênção.

     
 
    
 
 ORDEM DA HAGADÁ
 
 
 
 

Organize a Keará [travessa] sobre a mesa com três Matsot, uma em cima da outra. Primeiro [a Matsá denominada] Yisrael, sobre ela, Levi e sobre esta Cohen. Sobre elas, do lado direito, [coloque] o Zeroa [osso tostado]; a seu lado, à esquerda, Betsá [ovo]; abaixo deles, no centro, o Maror [raiz forte e erva amarga]; abaixo do Zeroa, o Charosset [pasta de nozes, frutas e vinho]; a seu lado abaixo do ovo, o Karpás [cebola (ou batata) 1 e no centro abaixo do Maror, a Chazeret [raiz forte e erva amarga] a qual se usa para o Corech [sanduíche].

     
 
    
 
   A Hagadá completa
 
 
 

SEQÜÊNCIA DO SÊDER DE PÊSSACH

Kadêsh Recitar o Kidush.

Urchats Abluir as mãos.

Carpâs Comer um pedaço de cebola [ou batata].

Yáchats Quebrar a matsá do meio.

Maguid Narrar a Hagadá.

Rochtsá Abluir as mãos [para comer a matsá].

Motsí Recitar a bênção do Hamoffi [sobre as matsot].

Matsá Recitar a bênção da matsá e comê-la.

Maror Recitar a bênção do maror e comê-lo.

Corêch Sanduíche de matsá e maror.

Shulchan Orêch Comer a refeição festiva.

Tsafun Comer o aficoman.

Berach Bircat Hamazon [Bênção de Graças].

Halel Louvores a D'us.

Nirtsá O Sêder é aceito favoravelmente.

     

 
 
  __KADESH
 
 
 
 

KIDUSH

Preparai o banquete do Rei Supremo. Este é o banquete do Santo, bendito seja Ele e Sua Shechiná.

Quando o Yom Tov [o dia festivo] incide no Shabat, recita-se antes Yom Hashishi [O sexto dia...]

O sexto dia. E foram completados os Céus e a Terra e todos os seus exércitos. E completou D'us no sétimo dia a obra que fez e descansou no sétimo dia de toda a obra que fez. E D'us abençoou o sétimo dia e o santificou, pois nele descansou de toda a Sua obra, que D'us criou para fazer.

Num dia de semana inicia se aqui:

Atenção senhores.

Bendito és Tu, A-do-nai* nosso D'us, Rei do Universo, Que cria o fruto da vinha.

*N. do T. - Conforme mencionado anteriormente, este Nome Divino é sagrado e não deve ser pronunciado desnecessariamente, portanto sempre que não estiver orando, substitua-o por "Hashem".

Bendito és Tu, A-do-nai nosso D'us, Rei do Universo, que nos escolheu dentre todos os povos, nos elevou acima de todos os idiomas e nos santificou com Seus mandamentos. E nos deste, A-do-nai, nosso D'us, com amor (no Shabat: dias de Shabat para descansar e) dias festivos para alegria, festas e épocas de regozijo; este dia (no Shabat: de Shabat e este dia) da Festa das Matsot e esta data festiva de santa convocação, época da nossa libertação (no Shabat: com amor), uma santa convocação em lembrança da saída do Egito. Pois nos escolheste e nos santificaste dentre todos os povos (no Shabat: e Shabat) e Teus sagrados dias festivos (no Shabat: com amor e vontade), com alegria e regozijo nos deste por herança. Bendito és Tu, A-do-nai, que santifica (no Shabat: o Shabat e) Yisrael e as épocas festivas.

Bendito és Tu, A-do-nai nosso D'us, Rei do Universo, Que nos conservou em vida e nos manteve e nos fez alcançar esta época.

Quando o dia festivo ocorre no término do Shabat, recita-se a Havdalá

antes do Shehecheyánu [Que nos conservou em vida...]

Bendito és Tu, A-do-nai nosso D'us, Rei do Universo, Que cria as luzes do fogo.

Bendito és Tu, A-do-nai nosso D'us, Rei do Universo, Que distingue entre o sagrado e o profano, entre a luz e as trevas, entre Yisrael e os outros povos, entre o sétimo dia e os seis dias de trabalho. Distinguiste entre a santidade do Shabat e a santidade dos dias festivos e santificaste o sétimo dia dos seis dias de trabalho. Distinguiste e santificaste o Teu povo Yisrael com a Tua santidade. Bendito és Tu, A-do-nai, Que distingue entre o sagrado e o sagrado. Shehecheyánu.

Beba [o vinho d] o copo sentado, reclinado para o lado esquerdo como um gesto de liberdade.

URCHATS

Deve-se abluir as mãos sem recitar a bênção [Al Netilat Yadayím].


CARPÁS

Pegue um pedaço menor do que um Kezayit de Carpás (cebola ou batata), mergulhe-o em água salgada ou no vinagre e recite a seguinte bênção:

Bendito és Tu, A-do-nai nosso D'us, Rei do Universo, Que cria o fruto da terra.

Ao recitar esta bênção tenha em mente a raiz forte e a erva amarga do Maror [(e Corech) que serão comidos mais tarde].


YÁCHATS

Pegue a Matsá do meio e quebre-a em dois, sendo um pedaço maior que o outro. O maior é deixado de lado para ser comido mais tarde como Aficoman, e o menor é recolocado entre as duas Matsot.

 

   
   
 
    
 
        

Nas duas primeiras noites de Pêssach reunimos a família e amigos em torno da mesa e esperamos a recitação do kidush pelo condutor do sêder.

É importante que cada convidado tenha sua própria Hagadá, ou sente-se ao lado de alguém que a tenha, para que possa acompanhar todo o procedimento, passo a passo, o que deverá ser feito pelo condutor do sêder na língua que é comum a todos.

Os quinze pontos que serão mencionados abaixo servem de orientação para a realização do sêder e de modo algum substituem a Hagadá, que inclui todo o relato do êxodo do Egito além de outros conteúdos de extrema importância e que serão eternamente insubstituíveis.

 

 

 

 

 

1. Cadêsh

2. Urcháts
3. Carpás
4. Yáchats

5. Maguid

6. Rochtsá
7. Motsi
8. Matsá
9. Maror
10. Corêch
11. Shulchan Orêch
12. Tsafun
13. Berach
14. Halel
15. Nirtsá
   

top

 
 
   
  __1. Cadêsh
 
 
 
Recitar o kidush
 

 

Quando o pai, ou o condutor do sêder, chega da sinagoga na noite de Pêssach, deve encontrar a mesa posta e tudo pronto para iniciar o sêder. À sua frente deve haver uma travessa com três matsot inteiras cobertas por um pano e por cima a keará (a travessa com os seis ingredientes).

O serviço do sêder inicia-se com a recitação do kidush sobre o primeiro dos quatro copos de vinho que devem ser bebidos durante o sêder.

Os quatro copos de vinho recordam as quatro expressões de re–denção mencionadas na Torá relativas à libertação do povo judeu do Egito. Também lembram os quatro grandes méritos que os judeus tinham no exílio egípcio: não trocaram os nomes hebraicos; falavam a língua hebraica; levaram uma vida altamente moral; e permaneceram leais uns aos outros.

Após o kidush, recita-se “shehe–che–yánu". A mulher que já fez esta bênção no acendimento das velas não deve repeti-la.

Ao beber os quatro copos e comer a matsá os homens se reclinam do lado esquerdo para acentuar a liberdade, já que antigamente apenas as pessoas livres se reclinavam enquanto comiam.

O kidush é recitado em voz alta, e cada um deve ter sua própria taça de vinho e responder “amên” para as bênçãos do kidush. Em seguida todos bebem o primeiro dos quatro copos de vinho. Como este ano os dois sedarim caem quarta e quinta-feira, dias 19 e 20 de abril, o seguinte kidush é recitado:

“Savrí Maranán: Baruch Atá A-do-nai E-lo-hê-nu Mêlech Haolám, Borê Peri Hagáfen.

Baruch Atá A-do-nai E-lo-hê-nu Mêlech Haolám, Asher Báchar Bánu Micol Am, Veromemánu Micol Lashôn, Vekideshánu Bemitsvotav. Vatíten Lánu A-do-nai E-lo-hê-nu Beahavá Moadím Lessimchá. Chaguím Uzmaním Lessassôn, Et Yom Chag Hamatsot Hazê, Veêt Yom Tov Micrá Côdesh Hazê, Zeman Cherutênu Micrá Côdesh, Zêcher Litsiat Mitsráyim; Ki Vánu Vacharta Veotánu Kidáshta Micol Haamím. Umoadê Codshêcha Bessimchá Uvsassôn Hinchaltánu. Baruch Atá A-do-nai, Mecadêsh Yisrael Vehazmaním.”

“Baruch Atá A-do-nai E-lo-hê-nu Mêlech Haolám, Shecheyánu Vekiyemánu Vehiguiánu Lizman Hazê.”

“Atenção Senhores: Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que cria o fruto da vinha.

Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que nos escolheu dentre todos os povos e nos elevou acima de todas as línguas e nos santificou com Seus mandamentos. E nos deste, ó Senhor nosso D-us, com amor dias festivos para alegria, festas e épocas para júbilo; este dia da Festa de Matsot e este dia propício de santa convocação, época de nossa libertação santa convocação, em recordação à saída do Egito. Pois a nós escolheste e nos santificaste dentre todos os povos e Teus santos dias festivos nos deste com alegria e júbilo. Bendito és Tu, ó Senhor, que santifica Israel e as festas.”

“Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que nos deu vida, nos manteve e nos fez chegar até a presente época.” 

   

 
__2. Urcháts
 
 
 
Lavar as mãos
 

 

Todos os presentes à mesa do sêder devem abluir as mãos (vertendo água de um copo ou caneca três vezes sobre cada mão, primeiro na direita, depois na esquerda) sem pronunciar a bênção, “Al netilat yadáyim”, sobre a ablução.

   
         
 
   

3. Carpas

 
 
 
Antepasto
 

 

Um pedaço de cebola crua ou batata cozida é mergulhada na água salgada (que lembra as lágrimas derramadas pelos judeus com o trabalho pesado no Egito). Antes de ingeri-lo, a bênção dos legumes é recitada tendo em mente o maror que será ingerido mais tarde. 

Nos tempos antigos somente pessoas livres usavam sal na comida. Assim, mergulhar o antepasto na água salgada é um ato que simboliza liberdade. É um dos primeiros atos do sêder destinados a despertar a curiosidade das crianças.

A palavra hebraica “carpás”, lida de trás para frente, representa os 600 mil judeus (a letra hebraica sámech vale 60, e vezes 10 mil é subentendido) que foram forçados a realizar trabalhos pesados (pêrech) no Egito.

Bênção: "Baruch Atá Ado-nai Elo-hê-nu Mêlech Haolam, Borê Peri Haadamá".

“Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que cria o fruto da terra.”

 
 
   
   4.Yáchats
 
 
Divisão
 

 

A matsá do meio (das três matsot da travessa do sêder) é quebrada em duas partes desiguais; a parte maior é embrulhada e reservada para o “aficoman” (vide item 12). Isto atrai, uma vez mais, a atenção das crianças e também relembra a Divisão do Mar Vermelho.  

A parte menor é recolocada na travessa.

   
 5. Maguid
 
 
 
Narração
 

 

O segundo copo é enchido (mas só se beberá dele no final da narração) e inicia-se a narração da Hagadá com as palavras “Hê lachmá anyá…”, quando se aponta à matsá central partida, ao descobrir parcialmente as matsot, cuja tradução é a que segue:

 

“Este é o pão da pobreza que nossos antepassados comeram na terra do Egito. Quem tem fome que venha e coma; todo o necessitado que venha e festeje o sêder de Pêssach. Este anos (estamos) aqui; no ano que vem na terra de Israel. Este ano (somos) escravos, no ano que vem homens livres.”

As crianças fazem a milenar pergunta "Má Nishtaná Halaila Hazê Micol Haleilot?”, “Por que esta noite é diferente de todas as outras noites?” cantando na íntegra:

"Má nishtaná haláyla hazê micol halelot?

Shebechol halelot ên ánu matbilín afilu páam echat?

Haláyla hazê shetê peamím.

Shebechol halelot ánu ochlín, chamêts o matsá?

Haláyla hazê culô matsá.

Shebechol halelot ánu ochlín, shear yeracot?

Halayla hazê maror.

Shebechól halelót ánu ochlín, ben yoshevín ubên messubín?

Haláyla hazê culánu messubin".

“Em que difere esta noite de todas as outras noites? Pois em todas as noites não mergulhamos alimentos sequer uma vez; porém nesta noite, duas vezes!

“Pois em todas as noites comemos chamêts ou matsá, porém nesta noite, somente matsá!

“Pois em todas as noites comemos diversas verduras, porém nesta noite, maror!

“Pois em todas as noites comemos sentados ou reclinados, (porém) nesta noite todos nós reclinamos!”

Seguindo o texto da Hagadá chegamos à resposta para estas perguntas. A narração inclui uma breve revisão da história do povo judeu, do sofrimento na escravidão e dos milagres que o Todo-Poderoso realizou para trazer a redenção.

É importante relatar o significado de três conceitos fundamentais desta noite: Pêssach, Matsá e Maror. Pêssach significa que D-us pulou as casas dos judeus durante a praga dos primogênitos. Matsá nos lembra que não houve tempo para a massa fermentar, tal era a pressa do Todo-Poderoso para promover o Êxodo do Egito. Maror (ervas amargas) nos lembra do amargo sofrimento da escravidão da qual D-us nos libertou.

Ao recitar as dez pragas e suas iniciais, derramam-se gotas de vinho num recipiente lascado (demonstrando que nossa alegria, representada pelo vinho, não está completa quando inclui o sofrimento de seres humanos, embora se tratando de nossos inimigos). Torna-se a encher os copos logo em seguida.

   
 
 
   
 
   __6. Rochtsá
 
 
Segunda ablução
 

 

Após concluir a primeira parte da Hagadá e beber o segundo copo de vinho, todos os participantes devem abluir as mãos da maneira prescrita antes das refeições (vide no segundo item, “urcháts”, como fazer a ablução), desta vez recitando a seguinte bênção:   

Baruch Atá Ado-nai Elo-hê-nu Mêlech Haolam, Asher Kideshánu Bemitsvotav, Vetsivánu Al Netilat Yadáyim.”

“Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou sobre a ablução das mãos.”

Sem interrupção com conversas, voltam à mesa para recitar a bênção sobre a matsá e ingeri-la.

   
 
   
  7 e 8. Motsi-Matsá
 
 
Bênçãos sobre a matsá
 

 

Após concluir a primeira parte da Hagadá e beber o segundo copo de vinho, todos os participantes devem abluir as mãos da maneira prescrita antes das refeições (vide no segundo item, “urcháts”, como fazer a ablução), desta vez recitando a seguinte bênção:   

“Baruch Atá Ado-nai Elo-hê-nu Mêlech Haolam, Asher Kideshánu Bemitsvotav, Vetsivánu Al Netilat Yadáyim.”

“Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou sobre a ablução das mãos.”

Sem interrupção com conversas, voltam à mesa para recitar a bênção sobre a matsá e ingeri-la

   
 
 
   
 
   __9. Maror
 
 
Ervas Amargas
 

 

Cada pessoa deve pegar cerca de 19 g de maror, mergulhá-lo no charosset e recitar a seguinte bênção especial do maror antes de ingeri-lo:

“Baruch Atá Ado-nai Elo-hê-nu Mêlech Haolám, Asher Kideshánu Bemitsvotav, Vetsivánu Al Achilat Maror.”  

“Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou comer do Maror.”

   
 __10. Corêch
 
 
Sanduíche
 

 

O sanduíche de matsá e maror lembra o costume instituído por Hilel. O maror (cerca de 19 g) é mergulhado no charosset e colocado entre dois pedaços de matsá (da matsá inferior da travessa do sêder). Antes de ingerir o sanduíche, recita-se:

“Ken assá Hilel Bizmán Shebeit Hamicdásh Haiá Caiám; Haiá Côrech Pêssach Matsá Hú Maror Vê Ochel Beiáchad. Cmô Shenehemar Al Matsot Humrorim Iochluho.”

 “Assim fez Hilel na época em que o Templo Sagrado existia: ele juntava o Cordeiro Pascal, Matsá e Maror e os comia juntos conforme mencionado: ‘Eles comerão com Matsot e ervas amargas’”.

   
 
   
 
 
   
 
   __11. Shulchan 
Banquete
 

 

A refeição festiva é servida.

É costume ingerir o ovo duro da travessa do sêder, mergulhado na água salgada, no início da refeição.
   
 
   
 
 
   
 
   12. Tsafun 
Escondido
 

 

Ao final da refeição, come-se a meia matsá reservada para aficoman (“sobremesa”). Deve-se ingerir ao menos 28,8 g antes da meia-noite, simbolizando o cordeiro pascal, saboreado antes de meia-noite, na época do Templo Sagrado. Após o aficoman, não se come nem se bebe mais, a não ser os dois copos de vinho obrigatórios.
   
 
   
 
 
   

 
 
  __13. Berach
 
 
Bênção de Graças
 

 

O terceiro copo de vinho é enchido e todos recitam Bircat Hamazon (a Bênção de Graças após a Refeição) ­ vide texto na Hagadá. Bebe-se o vinho ao terminar Bircat Hamazon. O copo do Profeta Eliyáhu deve ser enchido e também o quarto copo de todos os participantes. Abre-se a porta e recita-se a passagem que simboliza um convite para o Profeta Eliyáhu, o arauto da vinda de Mashiach, entrar.
   
 
   
 
 
         
 
 14. Halel 
 
Cânticos de louvor
 

 

O restante da Hagadá, que contém cânticos de louvor ao Todo-Poderoso, é recitada. Por fim, bebe-se o quarto copo de vinho terminando com a bênção posterior ao vinho “…al haguêfen veal peri haguêfen..”  ­ vide texto na Hagadá.

   
 
   
 
 
   
 
   15. Nirtsá 
 
Aceito
 

 

 

Após concluir adequadamente o serviço do sêder, estamos certos de que foi bem aceito pelo Todo-Poderoso. Finalizamos o sêder com a exclamação: “Leshaná Habaá Birushaláyim”, “Ano que vem em Jerusalém

 
 
   Resumo dos 15 passos do sêder
 
 

1. Cadêsh Recite o Kidush

2. Urcháts Ablua as mãos

3. Carpás Coma um pedaço de cebola (ou batata)

4. Yacháts Quebre a matsá do meio

5. Maguid Narre a Hagadá

6. Rochtsá Ablua as mãos (para comer a matsá)

7. Motsi Recite a bênção "Hamotsi" sobre as matsot

8. Matsá Recite a bênção da matsá e a coma

9. Maror Recite a bênção do maror e o coma

10. Corêch Coma o sanduíche de matsá e maror

11. Shulchan-Orêch Coma a refeição festiva

12. Tsafun Coma o aficoman

13. Berach Bênção de Graças - "Bircat Hamazon"

14. Halel Louvores a D'us

15. Nirtsá O sêder é aceito favoravelmente

   
 
    
 
 
   
  Contagem do Ômer
 
 
   
 

Na segunda noite de Pêssach, iniciamos Sefirát HaÔmer, contando 49 dias entre Pêssach e Shavuot, dia em que a Torá foi outorgada ao povo de Israel. Esta contagem foi ordenada por D'us e serve como preparação ao povo para o recebimento da Torá.

   
  Sefirat Haômer
  Por que contamos?
  Pêssach, Sefirat Haômer e Shavuot
  Uma jornada de 49 dias
  Sete atributos emocionais
 
 
 
    Sefirat Haômer
 
   

O Que é

A palavra "sefirat" basicamente significa cálculo ou contagem.

O que contamos?

Conta-se coisas de valor.

Conta-se unidades de tempo até um objetivo desejado; para uma criança, poderia ser: "Quantos dias faltam para as férias?" Para um adulto: "Quantas semanas ou meses até que eu consiga meu diploma? Ou "Quantos anos até que eu possa pedir uma promoção?"

Freqüentemente os itens contados são unidades de tempo. No judaísmo, tempo tem grande valor; é proibido desperdiçá-lo, ou matar o tempo.

Na tradição Judaica, o termo "sefirá" também possui significado específico, e refere-se à contagem dos 49 dias entre Pêssach e Shavuot. Em Pêssach, o povo judeu foi redimido de um terrível período de escravidão física na "casa do cativeiro", no Egito. Em Shavuot, que comemora D'us outorgando Seu precioso presente, a Torá, ao povo judeu no Monte Sinai, celebramos nossa passagem da Escravidão Espiritual à Liberdade Espiritual.

O objetivo da Redenção Física é a Redenção Espiritual. Sem a Espiritual, a Física nada significaria. A única fonte de moralidade é D'us; o ser humano é muito criativo, mas é incapaz de inventar um código moral. O melhor que o ser humano pode fazer por si só é estabelecer regras que impeçam a sociedade de mergulhar no caos.

A Torá prescreve um modo de vida que eleva o ser humano acima da natureza puramente física, ao nível de um ser moral e espiritual. Isso lhe possibilita entender que a consciência dentro dele foi plantada por D'us, e que ele tem a capacidade de atingir e modelar seu comportamento até determinado ponto, além daquele de seu Criador.

Ele ou ela vêm a perceber que a saída da Escravidão aconteceu apenas para tornar-se um servo novamente, mas desta vez não para servir a um ser humano chamado de "amo", mas ao contrário, para ser um Servo de D'us, o verdadeiro Mestre do Universo.

Seu Tempo e Sua Vida

A natureza da obrigação de Sefirat Haômer é contar. O Talmud diz: "U'sfartem lachem," - "Vocês deverão contar por si mesmos", o que implica que cada um deve fazer sua própria contagem, individualmente. Isto significa dizer que há uma obrigação para cada pessoa de contar, de exprimir sua percepção de que outro dia de sua vida chegou, trazendo uma nova oportunidade para o crescimento espiritual. Por isso a pessoa não pode cumprir sua obrigação de contar através de ouvir a contagem feita por uma outra.

Isto é de certa forma análogo a um sorvete: se estou pronto a saboreá-lo, outra pessoa não pode fazer a bênção no meu lugar. Comer um alimento requer permissão do seu provedor, o Criador do Universo, (e não ao fabricante do sorvete). Isto é feito por uma bênção precedente: "que tudo é criado pela Sua palavra." E também, agradecer através de uma bênção posterior.

Similarmente, no contexto de Sefirat Haômer, é "o meu tempo", designado a mim pelo meu Criador, de tornar-me uma pessoa melhor - contando - e por isso uma outra pessoa não pode contar por mim.

Por que luto?

Durante a contagem do Ômer estamos envoltos numa espécie de luto parcial, com certas restrições de comportamento, que são aliviadas em Lag Baômer, o trigésimo terceiro dia do Ômer.

No período entre Pêssach e Shavuot uma tragédia recaiu sobre os alunos de Rabi Akiva ; quase todos faleceram. A causa da morte é atribuída a falta de respeito entre eles.

Considerando-se o fato de que o ilustre mestre tinha proclamado que a essência da Torá é "Ama o teu próximo como a ti mesmo", como poderiam então um grande número de estudantes terem ignorado o ensinamento básico de seu mestre?

O comportamento ético entre o homem e outro homem e entre o Homem e D'us pode ser chamado de principal objetivo da Torá. O Rebe explica que amor entre os estudantes de Rabi Akiva nunca faltou. Ao contrário, justamente por amor eles não aguentaram quando um colega interpretava o ensinamento do mestre de maneira diferente da que achavam certa. Começaram a ridicularizar uns aos outros com a intenção de fazer com que revissem os ensinamentos e os aplicassem conforme seu mestre, como deveriam ser, do seu ponto de vista.

O amor nunca faltou entre os alunos; o que faltou foi amor com respeito, e esta é a grande lição que podemos entender deste capítulo tão triste de nossa História.

Dois heróis

Dois gigantes da História Judaica estão envolvidos na observância dos dias de Sefirat Haômer: Rabi Akiva e seu aluno, Rabi Shimon bar Yochai.

Rabi Akiva está envolvido com o aspecto triste destes dias, porque, conforme a tradição, 24 mil estudantes seus pereceram durante este período.

Rabi Akiva demonstrou sua enorme fé superando a grande tristeza e dor da perda ao reconstruir sua yeshivá. Assim fazendo, ele reafirmou sua capacidade singular de vislumbrar a luz na mais negra escuridão.

Outro grande sábio desta época foi Rabi Shimon bar Yochai, um dos cinco alunos de Rabi Akiva que sobreviveram à tragédia. Seu nome está associado com o aspecto mais feliz de Sefirat Haômer; o dia de Lag Baômer.

Seu maior papel vivido na História Judaica é como autor do sagrado livro do Zôhar. Esta obra é a base da Torá oculta, conhecida como Cabalá, um dos alicerces da Chassidut.

Rabi Shimon foi sepultado em Meron, Israel. Todos os anos, em Lag Baômer, data de seu falecimento, dezenas de milhares de judeus reúnem-se no local para comemorar a data. Acendem tochas, dançam e cantam com grande alegria, conforme o pedido feito pelo próprio Rabi Shimon.

 
 
   Por que contamos?
 
   Os números são elementos estranhos. Por um lado, parecem totalmente destituídos de significado: pense na esterilidade da burocracia ("Vá até o guichê nº 20, e preencha o formulário nº 5069"), ou a banalidade de um endereço, como "rua Trinta, nº 25". Por outro lado, considere como os números são usados ao dizermos coisas assim: "Experiência de vinte anos no assunto", "Uma casa de R$ 550.000,00" ou "Esta é nossa filha. Tem três anos."

Contar alguma coisa torna-a real para nós. Apenas ao lhe atribuirmos uma quantidade entendemos o que significa para nós e como podemos usá-la. Imagine que você ganhou um baú repleto de moedas de ouro. Agradece ao seu doador e leva o baú para casa. Tão logo a porta é trancada, qual a primeira coisa que você faz? Conta as moedas, claro! Certamente é ótimo poder dizer: "Sou um homem rico." Mas se pretende fazer algo com sua riqueza, precisa saber: "Quanto possuo?"

Da mesma forma, o povo de Israel ao partir do Egito recebeu a Torá sete semanas mais tarde no Monte Sinai. Todos os anos lembramos esta jornada através de Sefirat Haômer, a Contagem do Ômer, por quarenta e nove dias. Começamos na segunda noite de Pêssach: "Hoje é o primeiro dia do ômer", proclamamos na primeira noite da contagem. "Hoje são dois dias do ômer" ou "Hoje são sete dias, que perfazem uma semana do ômer", "Hoje são vinte e seis dias que perfazem três semanas e cinco dias do ômer", e assim por diante, até "hoje são quarenta e nove dias, que perfazem sete semanas do ômer." Até chegar no quinquagésimo dia que é Shavuot.

Os cabalistas explicam que cada um de nós possui sete poderes no coração - amor, reverência, beleza, ambição, humildade, compromisso e realeza - e que cada um desses sete poderes inclui elementos de todos os sete. São representados pelas sete semanas e 49 dias da contagem do ômer.

A cada Pêssach, recebemos uma arca do tesouro contendo o mais grandioso dom jamais concedido ao homem - o dom da liberdade. É também um dom completamente inútil. O que é liberdade? O que pode ser feito com ela? Nada. A menos que abramos a arca do tesouro e contemos seu conteúdo. Então, no segundo dia de Pêssach, após termos levado nosso tesouro para casa, começamos a contagem.

Contamos sete vezes sete, porque o presente da liberdade foi dado a cada um dos sete poderes e dimensões de nossa alma. De fato, de que serve a capacidade de amar, se somos escravos de influências externas e neuroses internas? De que vale a ambição, se somos seu servo ao invés de seu amo?

A cada noite pelas próximas sete semanas, abrimos nossa arca do tesouro e contamos outra moeda. Contamos nosso amor amável, amor intimidante, amor belo, amor ambicioso, amor humilde, amor comprometido e amor real. Designamos um número à realeza de nossa reverência ("Hoje são quatorze dias, que perfazem duas semanas do ômer") e à beleza de nossa humildade ("Hoje são trinta e um dias, que perfazem quatro semanas e três dias do ômer").

   
 
   Pêssach, Sefirat Haômer e Shavuot
 
   

Pêssach e Shavuot são festas estreitamente interligadas. Podemos afirmar que Pêssach é o inicio de um processo e Shavuot seu término; uma festividade completa a outra. A liberdade do Egito se íntegra com o recebimento da Torá em Shavuot. Só a liberdade física não é suficiente; enquanto ainda existem ligações com o Egito, não somos homens livres. Pêssach enriquece o coração e fortalece a fé; Shavuot desenvolve a mente por intermédio da Torá e sua sabedoria.

Foi devido à fé pura e sincera na promessa Divina que o Povo judeu saiu para o deserto, sem levar comida e outras necessidades básicas, confiando que o Altissímo supriria todas as suas necessidades. A matsá que comemos demonstra esta fé, lembrando-nos dos antepassados que saíram apressados do Egito sem tempo para assá-la. Então o Todo-Poderoso Se revelou e os tirou da escravidão. Esta recordação fortalece a nossa fé.

Mas só a fé não é suficiente. Apesar de ser considerada algo muito elevado e básico na religião judaica, não basta. Na linguagem chassídica, a fé é denominada o "pontinho" da alma do judeu. É verdade que um pontinho é o início de qualquer letra ou assunto, mas ainda não constitui uma letra e muito menos um assunto. Só depois que o pontinho for desenvolvido é que será criado um tema completo.

O mesmo processo acontece com a fé, que é um pontinho no fundo do coração: precisa ser revelado e espalhado em todas as partes do corpo para que vitalize a pessoa e todas as suas atividades. Tendo somente fé no fundo de seu coração, é provável que a pessoa faça justamente o contrário daquilo que a sua fé manda fazer.

Por esse motivo ligamos as duas festas - Pêssach (da fé) e Shavuot (da Torá) por meio de uma contagem diária dos dias (Sefirat Haômer) mostrando assim a necessidade de unir os dois fatores na vida espiritual. Esta é uma das razões porque Shavuot é chamado Atseret, o término de um processo que começou em Pêssach.

 
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   Uma jornada de 49 dias
 
 

A cidade era cercada por uma cadeia de colinas altas e escuras. Pesadas nuvens pairavam sobre o vale estreito, não permitindo que um único raio de sol passasse através delas. Os habitantes nasciam, viviam e morriam neste "vale de lágrimas", como o lugar era por vezes chamado. Não tinham a mínima noção de que fora dali havia lugares felizes, banhados pelo sol.

Certo dia de primavera, um prodigioso estranho apareceu vagando pelo vale. Observando a vida triste e atrofiada que tinham naquele local, contou-lhes sobre sua terra natal: um lugar ensolarado, com ar fresco, cheio de alegrias e canções. Ninguém conseguia acreditar que existisse tal lugar.

Certa manhã, antes do romper da aurora, o estranho levou-os até os limites do vale, e quando a brisa da manhã dissipou as nuvens escuras, viram à distância, como se iluminado por um lampejo de luz, um planalto coberto de verde, no topo de um monte distante banhado pela luz do sol nascente.

"Esta é a terra à qual os levarei", proclamou o estranho homem ao surpreso povo do vale. A visão do sol e de seus raios transmitiram esperança ao povo, que seguiu entusiasticamente seu líder. A jornada da saída do vale escuro e úmido foi longa e traiçoeira. Havia terras incultas, desertos de areia, colinas escarpadas a galgar. Ainda não havia sinal da montanha maravilhosa que era o destino deles.

De tempos em tempos, o líder refrescava a memória das pessoas, lembrando-as daquela gloriosa manhã em que tinham avistado a montanha com seus próprios olhos. Nestas ocasiões, podiam ver novamente o topo da montanha banhado pela luz do sol. E esta lembrança dava-lhes a força e a fé necessárias para sustentá-los até o glorioso dia no qual realmente chegariam ao pé da montanha.

O vale cósmico

Esta, dizem os mestres chassídicos, é a história de nossa vida cotidiana: o constante conflito, a escalada exaustiva da escada da perfeição, aprimorando a matéria prima de nosso ser, chegando perto, mas na verdade jamais atingindo a plenitude. É uma escada cuja base está fixada no escuro vale de um mundo onde D'us oculta sua face, e em cujo topo brincam raios nascidos de um manancial de luz.

E mesmo assim existem aqueles raros momentos de revelação. Momentos nos quais a face de D'us sorri através da névoa e vislumbramos a terra prometida, ponto culminante de nossa jornada.

A história de nossa vida diária é a história de uma viagem feita na escuridão, a história de um conflito interior com as forças da natureza dentro e fora de nós. Mas sem aqueles lampejos vindos do Alto - sem os raios de luz que afastam a escuridão, embora apenas pelo mais breve dos momentos - não poderíamos sobreviver à jornada, e atingir nossa meta definitiva.

A escalada do Sinai

O protótipo desta jornada é Sefirat Haômer, a contagem dos quarenta e nove dias de Pêssach a Shavuot.

Por 210 anos nossos ancestrais viveram na escuridão. Escravizados pelos egípcios, habitaram em uma névoa espiritual que obstruiu qualquer vestígio de manifestação Divina.

Então, certo dia, um prodigioso estranho apareceu no meio deles. Falou-lhes de uma promessa antiga, feita pelo D'us de seus antepassados, de que um dia eles iriam deixar este mundo sem sol. Falou sobre o topo de uma montanha, na qual D'us apareceria a eles, tomando-os para Si como Seu povo escolhido, outorgando-lhes Sua Torá, a revelação de Sua sabedoria e vontade. Mas a escuridão do mundo em que viviam parecia impregnável. Não tinham a menor idéia de como era este mundo ensolarado, menos ainda de como chegar lá.

Então, ao romper da meia-noite na véspera de Pêssach, abriu-se uma brecha nas nuvens de seu exílio e contemplaram a face de seu Criador. Naquela noite, D'us revelou-Se a eles e os redimiu. D'us, é claro, poderia simplesmente tê-los tirado do Egito e levado ao Monte Sinai naquela mesma noite. Porém, Ele desejava que fosse a jornada deles, a conquista deles. Então, após aquela visão momentânea, a face de D'us retrocedeu. Começaram então a árdua escalada do Sinai.

Os judeus estavam fora do Egito, mas o Egito estava ainda profundamente presente neles. Por sete semanas, lutaram para refinar os sete traços de sua alma, purificá-la e fazê-los candidatos para a Outorga da Torá. Isso era algo que deveriam adquirir por seu próprio mérito, nas trevas de suas deficiências e frieza de sua alienação. Mas foi esta visão inicial da luz Divina que os inspirou, encorajou e liderou-os em sua jornada.

A contagem anual

A cada ano, na primeira noite de Pêssach, comemoramos os eventos da noite do Êxodo. Pelo cumprimento do Sêder, revivemos a visão libertadora que dirige nossa emergência anual de nosso "Egito" pessoal e nossa liberação interna "da escravidão à liberdade, das trevas a uma grandiosa luz". Mas a revelação do Êxodo é apenas um lampejo breve e momentâneo. No dia seguinte começamos nossa trilha de quarenta e nove dias até o Sinai, reencenada a cada ano com a "Contagem do Ômer".

Iniciando-se com a segunda noite de Pêssach, contamos os dias percorridos desde o Êxodo, registrando os marcos e as estações de nosso auto-refinamento. O quinquagésimo dia é Shavuot, nossa experiência anual da Outorga da Torá, quando novamente ficamos ao pé do Sinai para receber a comunicação de D'us e ser consagrado como um "reino de sacerdotes e uma nação sagrada".

 
 
 
   Sete atributos emocionais
 
 SEFIRAT HAÔMER

A partir da segunda noite de Pêssach, inicia-se a contagem do ômer até a festa de Shavuot.

Qual a razão?

Agora mais que nunca, pessoas de todas as esferas da vida estão buscando um sentido e um propósito. Algumas procuram respostas na meditação. Algumas voltam-se para livros de auto-ajuda, terapia, religião, yoga, programas de doze estágios e filosofias modernas.

Muitas pessoas, entretanto, não se dão conta que a mais antiga - portanto testada mais vezes - resposta nos foi dado há 3.300 anos no Monte Sinai. É chamada: a Torá.

A outorga da Torá

Torá significa instrução. A Torá e suas histórias são, em sua essência, a história de nossa vida, um plano espiritual que ilumina as camadas e dimensões de nossa psique e alma. Cada evento na Torá reflete um outro aspecto de nossa personalidade interior. Através de suas mitsvot e mandamentos, a Torá ensina como nos atualizarmos conforme a intenção de D'us ao nos criar. Decifrando o código da Torá, desvendamos sua mensagem pessoal a cada um de nós.

Em cada palavra da Torá há um significado profundo, pessoal e espiritual.

O processo de receber a Torá no Sinai começou, na verdade, quarenta e nove dias antes, com o Êxodo do Egito. Estes quarenta e nove dias são tradicionalmente chamados de "Sefirá Ha'Ômer," que significa contagem do ômer.

Em Vayicrá (o terceiro livro da Torá) 23:15, o versículo diz: "Contareis para vós desde o dia seguinte ao primeiro dia festivo, desde o dia em que tiverdes trazido o "ômer" da movimentacão; sete semanas completas serão."

O ômer era uma medida de cevada (aproximadamente 2,2 l) que os judeus traziam como minchá ou oferenda vespertina no segundo dia de Pêssach. Isto era seguido pela contagem do ômer, quando os judeus contavam cada dia durante sete semanas - quarenta e nove dias no total - culminando com o dia festivo de Shavuot no quinqüagésimo dia, que também celebra o recebimento da Torá no Monte Sinai.

Mesmo após a destruição do Primeiro e Segundo Templos onde era trazida a oferenda do ômer, a tradição da contagem do ômer continuou. Começando com a segunda noite de Pêssach, cada um destes quarenta e nove dias levando de Pêssach a Shavuot é contado em progressão ordenada.

Ao fim da oração noturna em cada uma destas quarenta e nove noites, um judeu recita uma bênção e entãso verbaliza o número daquele dia. Além de comemorarem a contagem do ômer, os quarenta e nove dias de sefirá também expressam a antecipação ansiosa do judeu em receber a Torá em Shavuot, cinqüenta dias após vivenciar a liberação em Pêssach.

Qual é o significado da contagem por quarenta e nove dias e como isso se relaciona com a antecipação e os preparativos para receber a Torá? Que relevância tem esta contagem para nós hoje e como se aplica à exploração das dimensões mais recônditas de nossa alma?

A resposta a estas dúvidas está num entendimento mais profundo do êxodo da nação judaica do Egito. A palavra "mitzrayim" (Egito em hebraico) significa limites e fronteiras, e representa todas as formas de conformidade e definição que restringem, inibem ou tolhem nosso livre movimento e expressão. Dessa maneira, a saída do Egito significa liberdade das amarras. Após deixarem o Egito, os judeus passaram os próximos quarenta e nove dias no deserto, preparando-se espiritualmente para a mais monumental experiência de todos os tempos: a outorga da Torá a Moshê e ao povo judeu no Monte Sinai.

49 dias

Este período de quarenta e nove dias foi de intenso aperfeiçoamento de caráter. Por quarenta e nove dias, os judeus ascenderam, um degrau por vez, uma escada emocional em direção a uma pureza mais elevada. Este período de refinamento de caráter tem tanta relevância em nossa vida hoje como teve há 3.000 anos. Da mesma forma que éramos escravos no Egito, podemos também ser escravos de nossas personalidades, dirigidos por forças sobre as quais frequentemente sentimos não ter controle algum.

Os quarenta e nove dias da sefirá nos ensinam como recobrar o controle de nossas emoções, mostrando-nos como refinar nosso caráter, passo a passo, de uma maneira baseda nas verdades eternas da Torá.

Após este período de quarenta e nove dias, chegamos ao qüinquagésimo dia, matan Torá (a outorga da Torá), tendo conseguido plena renovação interior pelo mérito de ter avaliado e desenvolvido cada um dos quarenta e nove atributos. Qual é o significado do qüinquagésimo dia de matan Torá?

Nesta data celebramos a Festa de Shavuot. Após termos consumado tudo que pudemos pela nossa própria iniciativa, então somos merecedores de receber um presente (matam) do Altíssimo, o qual não poderíamos ter atingido com nossas limitadas faculdades. Recebemos esta habilidade de atingir e tocar o Divino; não apenas para sermos seres humanos aperfeiçoados que refinaram todas suas características pessoais, mas seres humanos divinos, capazes de se expressarem acima e além das definições e limitações de nosso ser.

A contagem da sefirá que se seguiu ao êxodo do Egito é um processo que devemos recriar continuamente em nossa vida, para que possamos atingir verdadeira liberdade pessoal.

Um estágio para o aperfeiçoamento pessoal

A palavra hebraica "sefirá" tem vários significados. O famoso cabalista RaMak (R. Moshê Kordevero, 1570) na sua monumental obra "Os Pardes", escreve que sefirá significa tanto "mispar", significando número e "sipur", como em "contar uma história." Uma terceira raiz de "sefirá" é sapir, uma pedra de safira, um cristal translúcido que irradia brilho.

A contagem da sefirá ilumina os diferentes aspectos de nossa vida emocional. Os dias de sefirá nos contam uma história - a história de nossas almas.

O espectro da experiência humana divide-se em sete emoções e qualidades, conhecidas no plural como sefirot. Cada uma dessas sete qualidades, por sua vez, subdivide-se em sete, perfazendo o total de quarenta e nove.

Cada dia no tempo tem vida própria. Um dia é um fluxo ímpar de energia, esperando para ser conduzida até cada uma das fibras do ser humano.

Os sete atributos emocionais

Cada um dos quarenta e nove dias da sefirá ilumina uma das quarenta e nove emoções; a energia de cada dia consistindo em examinar e aperfeiçoar sua emoção correspondente. Após purificar e aperfeiçoar todas as quarenta e nove dimensões, estamos totalmente preparados para matan Torá, pois agora estamos em sincronia com os quarenta e nove atributos Divinos a partir dos quais os atributos humanos evoluem.

Eis uma descrição dos sete atributos emocionais, que em várias combinações constituem as quarenta e nove qualidades a ser examinadas e desenvolvidas durante este período. Eis apenas uma de muitas aplicações:

Chesed - bondade, benevolência

Guevurá - justiça, disciplina, moderação, reverência

Tiferet - beleza e harmonia; compaixão

Netzach - resistência; firmeza; ambição

Hod - humildade, esplendor

Yesod - vínculo, princípio

Malchut - nobreza, soberania, liderança.

O período de quarenta e nove dias da sefirá é contado em dias e semanas. Os sete dias de cada semana constituem os quarenta e nove dias. Cada semana é representada por um aspecto daquele atributo.

Como uma emoção plenamente funcional é pluri-dimensional, inclui dentro de si uma mistura de todos os sete atributos.

Por exemplo: A primeira semana da sefirá é dedicada a CHESED - o atributo da bondade. No primeiro dia da primeira semana lidamos com chesed she'b'chesed - o aspecto da bondade em si mesma.

No segundo dia da Primeira Semana nos concentramos em Guevurá she'b'chesed - o aspecto da restrição em bondade. No terceiro dia da Primeira Semana, o foco está em tiferet she'b'chesed - a harmonia da bondade, e assim ocorre com todos os sete dias da semana.

Esta análise diária lhe dará a habilidade de recuar e olhar objetivamente às suas emoções subjetivas. Observar seus pontos fortes e fracos, por sua vez, lhe possibilitará aplicar-se a desenvolver e aperfeiçoar aqueles sentimentos, enquanto você caminha em direção à maturidade emocional e espiritual.

Como conta-se o ômer

A partir da segunda noite de Pêssach até Shavuot faz-se, em pé, a contagem do ômer, a cada noite após a prece de Arvit. Se a pessoa esquecer de fazê-la à noite, poderá fazer no dia seguinte, mas sem recitar a bênção, continuando a contagem normalmente (i.e., com a bênção) nas noites subseqüentes. Caso tenha esquecido de contar também

naquele dia, deverá continuar a contagem nas noites seguintes,

mas sem recitar a bênção.

Antes de iniciar a contagem do ômer, deve-se ter em mente o número da contagem e a sefirá correspondente.

Recita-se:

Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, asher kideshánu bemitsvotav, vetsivánu al sefirat haômer.

Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D'us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos, e nos ordenou sobre a contagem do ômer.

Exemplo: Número da contagem na primeira noite:

Hayom yom echad laômer.

Hoje é um dia para o ômer.

 

Ha'Rachaman hu yachazir lánu avodat Bet ha'Micdash limcomáh, bimherá veyamênu, amen, sêla.

Queira o Misericordioso restaurar o Serviço do Bet Hamicdash a seu lugar, brevemente em nossos dias, amém, e que assim seja para todo o sempre.

Lamnatsêach binguinot mizmor shir. E-lo-him yechonênu vivarechênu, yaer panav itánu, sêla. Ladáat baárets darkêcha, bechol goyim yeshu-atêcha. Yodúcha amim, E-lo-him, yodúcha amim culam. Yismechu viranenu leumim, ki tishpot amim mishor, ul'umim baárets tanchêm sêla. Yodúcha amim E-lo-him, yodúcha amim culam. Êrets nate-ná yevulá, yevarechênu E-lo-him, E-lo-hê-nu. Yeva-rechênu

E-lo-him; veyireú Otô col afsê árets.

Para o Mestre do Coro - um salmo com música instrumental; um cântico. Possa D'us ser pleno de graça conosco e abençoar-nos, possa Ele fazer brilhar Sua face sobre nós para todo o sempre. Para que Teu caminho

seja conhecido na Terra, Tua salvação entre todas as nações. As nações Te exaltarão, ó D'us; todas as nações Te exaltarão. As nações rejubilar-se-ão e cantarão de alegria, pois Tu julgarás os povos com justiça e guiarás as nações na Terra para sempre. Os povos Te exaltarão, ó D'us, todos os povos Te exaltarão. Pois a terra terá dado seu produto e D'us, nosso D'us, nos abençoará. D'us nos abençoará; e todos, dos mais distantes recantos da Terra, O temerão.

Para mais detalhes sobre as preces e contagem correspondente para cada dia da sefirat, veja no Sidur, no Manual de Bênçãos ou consulte um rabino.